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A disrupção não é nenhuma novidade para a América Latina. Nos últimos trinta anos, mais de 100 acordos de livre comércio expuseram fabricantes e produtores latino-americanos à concorrência global. Só o NAFTA deixou dois milhões de produtores mexicanos desempregados e levou à demissão de outros um milhão de operários entre 1995 e 1998. A disrupção da economia mexicana – graças ao NAFTA aliado à crise do peso – recebeu muito menos atenção da imprensa do que os cerca de 850 mil empregos perdidos nos Estados Unidos nos primeiros anos após a implementação do acordo.

A globalização, no entanto, quase não teve um impacto disruptivo sobre o setor de serviços da América Latina – até agora. Atualmente, cerca de 70% dos latino-americanos urbanos têm um smartphone e, portanto, modelos de negócios baseados em aplicativos que eliminam ineficiências do setor de serviços estão se mostrando um sucesso alarmante. A Uber Mexico alcançou uma penetração de mercado de 15% dos adultos mexicanos em quatro anos, um percentual que a Uber levou nove anos para atingir no mercado norte-americano.

Forças motrizes da disrupção

Os modelos disruptivos mais bem sucedidos atacam as fraquezas competitivas de setores antigos. Ativos ociosos, quer sejam equipamentos, imóveis ou pessoas, constituem uma importante fonte de desperdício. Muitas pessoas têm carros e casas que ficam desocupados por longos períodos de tempo – e são elas a força motriz do lado da oferta da Uber e do Airbnb, respectivamente. O mesmo princípio de economia compartilhada pode ser aplicado a embarcações, máquinas de construção e jatos particulares subutilizados. Despesas gerais muito altas (imóveis e estoques) são a razão pela qual o setor de varejo latino-americano é vulnerável ao comércio eletrônico. Entretanto, esse mesmo ponto fraco pode ser verificado em universidades e faculdades, bancos, cinemas, gráficas, funerárias e hotéis da América Latina.

A América Latina abriga algumas das cidades mais congestionadas do mundo. O supermercado online brasileiro Pão de açúcar foi desenvolvido para ajudar casais que trabalham a lidar com essa dificuldade. Na Colômbia, o Merqueo lançou um negócio semelhante. O tráfego também é um impulsionador de novas oportunidades de disrupção no setor de educação e formação, jogos de azar, salões de beleza, medicina geral, restaurantes e varejistas especializados.

A capacidade da internet de eliminar intermediários de modelos de distribuição multidimensionais de produtos eletrônicos de consumo por meio de marketplaces de comércio eletrônico como o Alibaba está sendo usada para minar setores intensivos em mão de obra como os de serviços profissionais, corretagem, comerciantes especializados e educação pré-infantil.

A tabela abaixo apresenta uma análise dos principais setores da América Latina que enfrentam disrupções em menor ou maior grau.

Barreiras à disrupção

Mesmo quando clientes insatisfeitos da América Latina exigem mais disrupção, diversos fatores retardarão o ritmo da mudança. Apesar de suas ineficiências desnecessárias, bancos, cartórios e serviços de utilidade pública da disrupção são protegidos por regulações. A classe política da América Latina vem se mostrando muito receptiva aos protestos e à generosidade financeira das grandes empresas ameaçadas dos setores financeiro, de varejo, transportes e serviços públicos – e está pronta para inventar regulações onerosas para retardar a disrupção. Alguns modelos disruptivos exigem injeções maciças de capital e conjuntos de habilidades especializadas para serem importados e adaptados, que dirá para serem lançados do zero.

Por fim, os consumidores latino-americanos podem não estar culturalmente preparados para adotar novos modelos disruptivos, a despeito de sua lógica econômica. Terrenos urbanos para cemitérios estão cada vez mais escassos, mas muitos católicos ainda evitam a cremação, embora custe 80% a menos que um enterro. Em sociedades obcecadas pela segurança como a da América Latina, a maioria das donas de casa não se sente à vontade para contratar estranhos para executar serviços de limpeza do lar, babá ou jardinagem. Assim, modelos de negócios disruptivos importados devem se adaptar às realidades culturais do mercado latino-americano.

Diagnosticar a vulnerabilidade de sua empresa e setor à disrupção é apenas o primeiro passo para lidar com os fenômenos dessa tendência. Por essa razão, a AMI tem o prazer de se unir à IG Motion, uma empresa de consultoria em gestão especializada na transformação digital de seus clientes. Juntos, diagnosticamos a ameaça/oportunidade de disrupção, trabalhamos com nossos clientes para definir uma estratégia adequada, os ajudamos em sua tomada de decisões e os orientamos em todo o árduo processo de gerenciamento de mudanças relacionado à execução da sua nova estratégia.

Entre em contato conosco para saber mais sobre como podemos ajudá-lo a diagnosticar a disrupção no seu setor e a se preparar. E se você for uma empresa disruptiva que deseja expandir seu negócio para a América Latina, entre em contato para compreender melhor os atores tradicionais, além de possíveis barreiras como leis, práticas de proteção e diversos outros fatores.

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