In Logistics

Os operadores logísticos da América Latina vêm se modernizando e se reestruturando com a maior rapidez possível para conseguir acompanhar o ritmo de crescimento da demanda do comércio eletrônico. Em 2019, o comércio eletrônico latino-americano crescerá cerca de 20%, de US$ 98 bilhões para US$ 118 bilhões. Desse total, o fluxo do comércio eletrônico varejista – abrangendo o fornecimento, o armazenamento, o rastreamento e a entrega de produtos físicos – responderá por US$ 60 bilhões. Os comerciantes eletrônicos da América Latina precisam trabalhar em parceria com operadores logísticos consagrados e, ao mesmo tempo, exigir que eles prestem um serviço mais rápido, mais barato, mais centrado nas necessidades do cliente e mais rastreável que o oferecido por empresas de logística no passado. As expectativas dos clientes de comércio eletrônico obrigam os operadores logísticos a modernizar sua infraestrutura de armazenamento, agilizar o processamento de pedidos, melhorar a velocidade fronteiriça e atender clientes consumidores – e tudo isso está exercendo uma enorme pressão sobre a flexibilidade operacional de empresas de logística tradicionais da América Latina. Os operadores logísticos que se adaptarem a esse mercado maior e, ao mesmo tempo, muito mais exigente conseguirão lucrar e colher os benefícios. Aqueles que não mudarem registrarão queda no faturamento e colapso nos lucros.

 

Superação dos desafios relacionados à devolução de produtos do comércio eletrônico

Um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento do comércio eletrônico na América Latina é a prática de devolução de produtos, que mina os lucros. No comércio eletrônico, as devoluções em todas as categorias de produtos em mercados semi-maduros, como o do Reino Unido, da Alemanha e dos Estados Unidos, chegam a 35%, ao passo que, no México, o percentual se aproxima de 20%.

No México e no Brasil, varejistas virtuais já começaram a priorizar e avaliar os recursos de logística reversa e a flexibilidade de seus operadores logísticos. De forma gradual, os operadores logísticos da América Latina vêm oferecendo uma variedade mais ampla de serviços de logística reversa, incluindo reparos e renovações de produtos, reembalagem, reentrega e, quando necessário, a revenda por meio de intermediários que comercializam produtos usados.

O comércio eletrônico internacional representa uma oportunidade crescente para comerciantes estrangeiros acessarem novos clientes que desejam ter mais opções e pagar preços mais baixos que os oferecidos por seus mercados domésticos menos competitivos. De acordo com entrevistas realizadas pela AMI com mais de 100 comerciantes, as vendas do comércio eletrônico internacional estão crescendo a uma velocidade duas vezes maior que a das vendas internas. Sem uma logística reversa mais inteligente, no entanto, a dor de cabeça de processar a devolução de encomendas internacionais pode superar os benefícios de um novo mercado.

Atualmente, os varejistas que vendem no Mercado Livre, Aliexpress ou Linio preferem enviar um produto novo aos clientes sem exigir a devolução da mercadoria defeituosa ou errada porque os custos de logística reversa (incluindo procedimentos alfandegários) são quase sempre superiores aos custos do envio de um produto substituto. Alguns vendedores on-line do Aliexpress nem sequer têm uma política de devolução de encomendas internacionais, enquanto transportadoras e operadores postais lutam para trabalhar com a alfândega no sentido de encontrar a melhor maneira de processar devoluções em um ambiente obcecado pela redução de custos.

Outra abordagem para atenuar o problema das devoluções consiste em coletar produtos devolvidos no país onde eles foram vendidos e, em seguida, leiloar mercadorias abertas e não utilizadas em lojas virtuais locais. Empresas com enormes volumes de devoluções internacionais, como Aliexpress ou DH Gate, vêm explorando a ideia de consolidar essas devoluções até atingir um volume suficiente para encher um contêiner – processo que pode levar de uma a duas semanas. Nesse meio tempo, elas substituem o produto devolvido por um novo.

Automação de armazéns e análises de dados de clientes

O rápido crescimento do comércio eletrônico na América Latina gera necessidades de mudanças em termos do local de armazenamento dos produtos e da forma como esse serviço é gerenciado por clientes logísticos. Atualmente, a maioria dos armazéns de estoque é construída em imóveis comerciais baratos, longe de importantes mercados urbanos. O comércio eletrônico, que exige entregas rápidas (muitas vezes no mesmo dia), obriga os operadores logísticos a instalarem seus depósitos em locais mais próximos aos centros das cidades.

Operadores de armazenamento e logística preveem que a automação de armazéns começará com a adoção de robôs móveis autônomos que empilham e levam as encomendas até os empacotadores, agilizando o processamento de pedidos e aumentando a produtividade desses trabalhadores. No estágio seguinte, o serviço de armazenamento se concentrará no gerenciamento de dados de clientes por meio de análises preditivas que ajudem a prever as armazenamento e otimizem o posicionamento do estoque. Como já observado na Europa e nos Estados Unidos, o gerenciamento de megadados (bigdata) reduz custos e acelera o tempo e a precisão do processamento de pedidos.

Segundo a última análise da Frost & Sullivan sobre o mercado latino-americano de megadados e análise de dados, o setor registrou um faturamento de US$ 2,9 bilhões em 2017 e deverá atingir a marca de US$ 8,5 bilhões até 2023, com uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 19,2%. Atualmente, o Brasil lidera a corrida, respondendo por 46,7% do total de vendas, seguido pelo México (26,7%), Colômbia (7,9%), Chile (6,9%), Argentina (5,6%) e Peru (2,4%). Uma mentalidade madura sobre organizações centradas em dados, o aumento da produtividade, a fidelidade do cliente e a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) são fatores críticos que impulsionam os negócios regionais.

Redução de custos de entregas e aceleração da velocidade

De acordo com operadores logísticos, a entrega ao consumidor final representa o maior custo das suas operações de comércio eletrônico. Na logística urbana da América Latina, as empresas gastam muito tempo tentando encontrar áreas de descarga e identificar ruas sem nome, além de enfrentar engarrafamentos frequentes. Consequentemente, elas estão cada vez mais adotando um modelo semelhante ao da Uber para lidar com a primeira e a última etapa do processo de transporte de cargas, com startups como Rappi, CargoX e Chazki trazendo para o mercado sua própria rede de motoristas e veículos para realizar a entrega de encomendas. Embora ainda pequenas, essas empresas crescem a taxas alarmantes e, quanto mais crescerem, mais forçarão organizações verticalmente integradas e operadores logísticos a reduzir seus preços.

Na América Latina, porém, o comércio eletrônico também cria oportunidades para provedores logísticos mais tradicionais. Varejistas eletrônicos estão descobrindo o potencial de ampliação do mercado oferecido pelo serviço de pagamento de encomendas no momento da entrega (cash-on-delivery). Operadores logísticos que conseguirem prestar esse serviço encontrarão um mercado de comerciantes necessitados.

Startups disruptivas

Startups disruptivas já começaram a afetar a reputação e as margens de lucro de operadores logísticos mais tradicionais. O que parece só uma alfinetada hoje se transformará em golpes mais ameaçadores em um setor que desfrutou de mais de duas décadas de consolidação e crescimento de lucros no período de 1995 a 2018.

As startups logísticas da América Latina concentram seus esforços na redução de custos e na aceleração da velocidade do serviço nos estágios mais ineficientes da cadeia de fornecimento por meio da utilização de armas de mudança: tecnologia de melhoria de produtividade, “uberização” de atividades intensivas em mão de obra e uso de plataformas digitais de venda de produtos próprios e de parceiros (marketplaces) para nivelar o campo de jogo entre os concorrentes. Todas as três abordagens geram reduções de custos.

Para sobreviver à revolução disruptiva, os operadores logísticos latino-americanos estão começando a se livrar de ativos improdutivos, reduzir a força de trabalho e se esforçar para chegar aos estágios superiores da cadeia de valor tomando a “torre de controle dos clientes” para que possam entender melhor as exigências comerciais e oferecer serviços superiores. Ter controle sobre o cliente garante a geração de receita, ao mesmo tempo em que a implementação estratégica de tecnologias garante a lucratividade. Sai o grande e pesado, entra o leve e ágil.

Clientes de logística precisam reduzir custos

No cenário atual, clientes logísticos da América Latina têm poucas opções além de cortar custos se quiserem ampliar os lucros, já que aumentos de preços não são realistas devido a pressões globais pela redução de preços.

Empresas latino-americanas costumavam desconfiar da abordagem de terceirizar serviços logísticos de valor agregado. Para empresas em rápido crescimento no segmento do comércio eletrônico, no entanto, a estratégia de terceirizar suas funções de gerenciamento da cadeia de fornecimento permite que elas se concentrem no que fazem melhor: promover e vender seus produtos. A falta de estoque é um risco que pode custar caro para uma empresa jovem de alto crescimento e, ainda assim, esse problema é muito comum no mundo do comércio eletrônico da América Latina.

Empresas mexicanas vêm cada vez mais abandonando frotas de veículos e armazéns subutilizados, preferindo terceirizar esses custos de forma variável. Para muitas empresas de bens de consumo (e algumas empresas B2B), o item que mais pesa no orçamento (com exceção da mão de obra) é a logística.

Na maioria dos países latino-americanos, o setor de transporte por caminhão é altamente fragmentado, abrangendo desde operadores que são donos dos próprios caminhões e operadores de frotas de grande porte a agentes de cargas experientes que não têm um único caminhão. É difícil escolher um prestador de serviços logísticos que represente um equilíbrio entre custos, confiabilidade e cobertura geográfica. Sem um fluxo constante de contratos de retorno de encomendas, os operadores logísticos da América Latina são rapidamente excluídas do mercado por questões de preço, uma vez que dependem de alguns clientes multinacionais para sustentar seus negócios. Ao mesmo tempo, porém, eles não buscam clientes menores para suprir volumes de retorno de encomendas e perdem a oportunidade de trabalhar de perto com plataformas de entregas sob demanda e de crowdshipping (entregas realizadas por pessoas comuns).

Próximos passos

Entre em contato conosco para saber mais sobre a nossa experiência e especialização no mercado latino-americano de logística e como podemos ajudar sua empresa de logística a entender melhor o mercado e a concorrência e a gerar leads. Se for um cliente logístico, nossas soluções podem ajudá-lo a economizar custos ao fazer uma análise dos seus concorrentes e de como eles competem por meio de estratégias de logística.

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